"Bom... e o rio segue seu curso." Será mesmo?
Peço licença ao meu amigo Adriano. Peguei essa frase emprestada para colocar em palavras meus últimos pensamentos (podem chamar de viagens, surtos, etc...)
Eu vivia num barco. Eu, o barco e a água, muita água para todos os lados. Mais nada, mais ninguém. A correnteza era a única responsável pela minha movimentação. Eu ia pra onde ela me levava. Alguns lugares eu gostava... Outros não... E assim o tempo passava. Algumas vezes eu até batia os pés para tentar chegar mais rápido ao próximo destino, ou tentar escapar do rumo que o barco tinha. Mas confesso que o pequeno esforço não fazia muita diferença para o resultado final. Eu continuava indo para onde a água me levasse. Ou, o que era pior, ficava parada quando tudo estava calmo. Até que aprendi (não sei como) a construir algo parecido com um remo. Foram várias tentativas até chegar num instrumento forte o suficiente para me transportar de acordo com a minha vontade, e não mais dependendo da vontade da correnteza. Foi aí que surgiu o problema: a minha vontade. Qual era a minha vontade? Eu tinha uma vontade? Não era mais fácil deixar que a vida, digo, que a água decidisse por mim? Não. Hoje posso garantir que não. Fui testando as direções e descobrindo as tais "minhas vontades". Consegui alcançar lugares pelo meu esforço no remo, e pela escolha através da vontade. Muitas vezes até deixo o rumo das águas me mostrar outras possibilidades. Mas se eu não gostar, se eu quiser tentar outra coisa, remo tudo de volta e sigo para outro destino. Agora, estou aprendendo a escolher os meus destinos.
Escrito por Sheila às 15h00
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