Finalmente... "Cazuza O Tempo Não Pára"
Depois de muitas ligações atrás de companhia, fui ao cinema com minhas primas e os namorados delas. Eu tava louca pra ver esse filme desde que começaram a divulgar as primeiras notas sobre a produção. Quando o Cazuza morreu eu tinha apenas 8 anos e a AIDS era um mistério assustador. Só fui me apaixonar pelas músicas e pelo artista, acho que na minha adolescência. O cara era um poeta mesmo! E todo o processo do Daniel de Oliveira me encantou muito. É isso que eu amo no trabalho do ator, conhecer cada milímetro da sua personagem. Ele fez mesmo um trabalho lindo!
Fui ver o filme sabendo que sairia emocionada, mas não poderia imaginar que mexeria tanto quanto mexeu. É impressionante como o cara amava a vida que ele levava. Tá, ele era intransigente e não tinha limite pra nada, mas ele dava valor a coisas que muita gente nem liga como ir à praia e tomar banho de mar. O filme é muito bom! É forte, é envolvente, emocionante, nossa, é tanta coisa! Tinha horas que eu me sentia dentro de um daqueles shows, cantando todas as músicas, vivendo com ele todos os segundos. Mas é muito triste ver como ele sofreu com as conseqüências das suas atitudes. E me fez pensar no valor que a gente dá à vida. Não dá pra saber quando vai cair uma bomba dessas nas nossas cabeças. Tenho dois amigos soro-positivos (um deles já com AIDS), minha mãe tem esclerose múltipla, minha avó teve câncer de mama, um outro amigo tá com leucemia. Ok, a medicina avançou pra caramba e as coisas não estão mais perdidas como era antigamente, mas quem pode imaginar o que vem depois? Temos mesmo é que dar valor a cada nascer ou pôr do sol, a cada gota de chuva, a cada folha numa árvore, a cada amigo. E como é bom ter amigos. Eu, que por muito tempo não soube o que era isso, agradeço todas as noites por ter amigos tão especiais ao meu lado.
Voltando ao Cazuza, tá sendo difícil traduzir em palavras o quanto fiquei mexida. Só posso dizer que amo minha vida! Vou deixar aqui uma imagem do filme e uma parte de um texto que não aparece lá, só tem na trilha:
"Os ignorantes são mais felizes 
Eles não sabem quando vão morrer
Eu não, eu sei que tenho um encontro marcado
As pessoas esquecem o que precisam fazer
Eu não posso me dar a esse luxo
Faço tudo caber nos meus próximos poucos dias
Todas as idéias que eu teria, as pessoas que eu conheceria
O que eu ainda fosse cantar
Estou grávido, mas não posso esperar."
Escrito por Sheila às 14h17
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Quero amigos feios!!!
Meu, por que meus amigos não são todos feios e sem graça? Que droga! Não agüênto mais ter amigos legais, fofos, meigos, compreensivos, que dão bola pra um monte de gente menos pra mim. Tá, ok, eu posso estar exagerando, mas tô revoltada!
Acabei de encontrar um desses. É aniversário dele e eu fui dar um abraço de parabéns. Nos vinte minutos que passamos juntos, o assunto foi relacionamento e solteirisse, já que ele também está solteiro. Meu, eu não quero conversar, falar sobre isso; eu quero viver um relacionamento! Tá Dé, eu sei que eu preciso mudar a minha postura para que os caras sintam que também podem contar comigo quando precisarem, e pra que eles saibam que não ficarei o tempo todo "sugando" o ombro deles. Mas tá difícil entender por onde eu posso começar a mudar. Auto-confiança seria uma boa, auto-estima também, mas não tenho tido sucesso nessas áreas...
Tô carente sim!!!!!
Escrito por Sheila às 21h06
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Tô rouca!!!
Minha voz nunca foi 100% saudável. Sou famosa por ficar rouca em época de apresentação. Mas nesse semestre foi diferente. Em dezembro do ano passado, encerrei meu tratamento com uma fono, que mais parecia minha terapêuta. Curamos um calo que eu tinha nas cordas vocais e ela me liberou para começar as aulas de canto. Eu e o Deco sempre prestamos bastante atenção à saúde da minha voz, e passei o semestre bem, sem exageros e sem problemas. Tive voz em todas as apresentações de Sunset, e durante todo o Festival. Mas assim que Butantã se apresentou, no último horário do último domingo de Drama, fiquei rouca. Foi logo que eu relaxei de toda a correria e tensão do semestre. Até aí estaria tudo bem, se eu não continuasse rouca até hoje. E essa semana só piorei. Já falei com a minha fono e vou seguir os procedimentos clínicos que ela sugeriu. Também estou tomando umas tinturas sei lá do quê e um xarope, coisinhas naturais que são distribuídas lá no Bezerra. Mas fico irritada quando estou assim! Não posso falar no telefone, não posso cantar com o violão, tenho que falar pouco com as pessoas... ai, me incomoda tanto!!! E estou muito triste de não poder ir nas aulas de canto. Já cancelei duas aulas por causa disso. Tô morrendo de saudades! Vivo estudando as letras das músicas do meu "repertório" e pensando como posso interpretá-las melhor (um dos meus grandes desafios como cantora).
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Queeeeroooooo miiiiiiiinhaaaa voooooz deeeeee vooooooooooooltaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!
Escrito por Sheila às 00h39
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Tradução simultânea X Playback Theatre
Hoje tivemos um ensaio de Playback bem diferente. Estavam conosco dois gringos que também trabalham com Playback Theatre. Passei a manhã inteira fazendo tradução simultânea português-inglês / inglês-português. Curto esse trabalho. Mas encarando as dificuldades, percebi como traduzir assim, na hora, tem coisas parecidas com fazer Playback, que é atuar assim, na hora. A incerteza é a mesma, muitas vezes você não sabe se deveria falar aquilo que está falando. Também nunca sabe se é a hora certa para "entrar em cena". O quanto será que eu deveria esperar para começar a traduzir uma frase? E o medo de atropelar o outro? Mas o que me salvou de tanta insegurança, foi uma lição que aprendi lá dentro: cavei meu espaço! Não foi fácil não, mas foi a maneira que encontrei para fazer meu trabalho. De resto, é usar o tal feeling. Normalmente dá certo!
Escrito por Sheila às 18h21
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And the red lion goes to...
12 anos de palco! Muito trabalho, muita luta, muitas dúvidas, medos, mas sempre tudo vivido muito intensamente, com muita dedicação. Sou assim, amo o que eu faço e acredito que posso fazer cada vez melhor.
Acho que a ficha ainda não caiu: indicação pelo juri oficial e o prêmio de melhor atriz pelo juri popular! Será que dá pra explicar o que isso significa? Não é só sucesso, é reconhecimento. Significa que cada segundo estudando a peça e a personagem valeu a pena. Posso ser louca por criar a história dela com tantos detalhes, fui até zoada por ter definido o signo da Norma, mas essa viagem toda também é umas das coisas que eu amo no meu trabalho. Foram 6 meses de estudo e ensaios. Como eu cresci, como eu melhorei nesse papel. E depois, no final das apresentações, o que eram aquelas pessoas me cumprimentando? Lágrimas nos olhos, elogios que não acabavam! Nunca imaginei que eu fosse causar tudo isso. Que maravilhoso ter essa oportunidade. Acho que o trabalho todo foi muito bem feito e vivenciado intensamente por mais gente do grupo, não só por mim. Eu não faço uma peça sozinha, falei isso ontem pra Camila. Estão todos de parabéns, afinal, não é todo dia que a gente apresenta a 3ª melhor peça do festival...
Ah, claro que não poderia deixar de escrever aqui como estou feliz pelas indicações e pelos prêmios de Santana de Parnaíba. Pessoal, mais uma vez, muito obrigada pela confiança que vcs depositaram em mim e pela oportunidade que vcs me deram de ajudar. Foi um grande prazer!
Beijos a todos, obrigada pela força, pela torcida, pelas críticas e pelos elogios. Mas, acima de tudo, obrigada pela amizade!!!
Escrito por Sheila às 16h40
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